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Classe média perde espaço e aluguel cresce no Brasil
Dados da PNAD Contínua mostram queda dos domicílios próprios e alta dos imóveis alugados, em meio a juros elevados, crédito mais restrito e renda pressionada
O número de brasileiros vivendo de aluguel aumentou entre 2016 e 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, os imóveis alugados passaram de 12,2 milhões para 18,9 milhões, alta de cerca de 55%, destaca reportagem do Estadão.
A participação dos domicílios alugados subiu de 18,4% para 23,8%. Ao mesmo tempo, a fatia de domicílios próprios já pagos caiu de 66,7% para 60,2%, redução de 6,5 pontos porcentuais.
A reportagem cita ainda estudo da Ipsos que mostra que 76% das pessoas que pagam aluguel têm interesse em adquirir um imóvel, mas 36% dizem não acreditar que conseguirão concretizar o desejo.
Apartamentos crescem, mas casas lideram
A maior parte da população do Brasil ainda vive em casa, mas a participação dos apartamentos vem crescendo, com a urbanização. Segundo o IBGE, em 2016, 86,1% dos domicílios eram casas, ante 82,7%, em 2025. No mesmo período, o número de apartamentos ocupados subiu de 13,7% para 17,1%.
Os dados também mostram 77,7 milhões de domicílios particulares permanentes no país, um aumento de 15,6% em relação a 10 anos atrás.
Crédito imobiliário e casa própria
A dificuldade de compra atinge principalmente a classe média. O grupo enfrenta juros anuais acima de 10%, exigência de entrada entre 20% e 30% e análise de crédito mais rigorosa.
Dados do Serasa indicam que o Brasil chegou a 81,7 milhões de inadimplentes em 2026, alta de 38,1% ante 2016. No mesmo período, o valor das dívidas cresceu 176%.
Minha Casa, Minha Vida e financiamento
Uma das iniciativas para reduzir o problema habitacional é a expansão do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que passou a incluir famílias com renda de até R$ 13 mil. A Faixa 4 atende famílias com renda mensal de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil, com financiamento de imóveis de até R$ 600 mil, taxa de 10% ao ano e prazo de até 420 meses.
Mesmo assim, especialistas avaliam que as medidas não são suficientes para recompor o acesso da classe média ao imóvel próprio.
Aluguel e novos formatos de moradia
Com a compra mais difícil, aumenta a procura por locação. O Índice FipeZap mostra alta de 8,63% no aluguel em 12 meses. O preço médio do metro quadrado subiu de R$ 30,37, em março de 2020, para R$ 52,34 em março deste ano.
Esse cenário favorece investidores, incorporadoras e empresas voltadas à locação residencial, incluindo modelos multifamily em regiões urbanas consolidadas.
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