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Da teoria à prática: como a Reforma Tributária deve alterar preço, margem e estrutura operacional

Especialistas do Grupo BLB alertam que a mudança no modelo de tributação sobre consumo pode alterar o fluxo de caixa, contratos e estrutura operacional das empresas

A maior mudança no sistema de impostos sobre consumo das últimas décadas começa a sair do campo técnico e entrar na agenda prática das empresas. Com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e uma transição prevista até 2033, a Reforma Tributária deve alterar a formação de preço, fluxo de caixa e estruturas operacionais.

Para Rodrigo Barbeti, CEO e sócio-fundador do Grupo BLB, empresa brasileira de auditoria e consultoria com atuação nacional, esperar a regulamentação completa pode ser um erro estratégico. "A reforma não é apenas mudança de alíquota. Ela altera lógica de crédito, contratos e precificação. Quem não começar a se preparar agora vai perder margem e competitividade", afirma.

Segundo o especialista, há medidas que já podem, e devem, ser adotadas. Confira:

1. Faça um diagnóstico tributário

O primeiro passo é entender como a substituição de PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo novo modelo de IVA dual impactará a operação. É fundamental revisar a carga efetiva atual, créditos acumulados, dependência de incentivos fiscais e operações interestaduais. "Antes de discutir alíquota futura, a empresa precisa entender quanto paga hoje e como utiliza seus créditos. Sem esse raio-x, qualquer decisão será baseada em estimativa, não em estratégia", afirma Barbeti.

2. Revise contratos e precificação

Com a tributação incidindo no destino, margens podem ser afetadas. Contratos de longo prazo e cláusulas de repasse tributário precisam ser reavaliados para evitar que a empresa absorva custos indevidos. Em muitos casos, a preservação da margem estará na revisão contratual. "A reforma pode mudar a lógica da formação de preço. Quem não revisar contratos corre o risco de assumir um custo que deveria ser repassado ao cliente", alerta o CEO do Grupo BLB.

3. Projete o impacto no caixa

A transição pode gerar efeitos temporários no capital de giro, especialmente em relação à recuperação de créditos e formação de estoque. "Simular cenários financeiros é essencial, sobretudo em um ambiente de crédito mais seletivo", ressalta.

4. Reavalie estrutura e logística

Com a tributação passando a incidir no destino, a lógica que sustentava benefícios fiscais regionais tende a perder força. Estados escolhidos por incentivos podem deixar de oferecer a mesma vantagem competitiva no novo modelo. "Com essa mudança, a localização de filiais, centros de distribuição e fornecedores deve ser reavaliada com foco em eficiência operacional e proximidade do mercado consumidor, e não apenas em economia tributária", avalia.

5. Invista em tecnologia fiscal

A nova sistemática exigirá controle mais preciso de créditos e integração em tempo real das informações fiscais. Como o modelo prevê a não cumulatividade ampla e maior cruzamento de dados, inconsistências podem gerar autuações ou perda de crédito. "Empresas que ainda operam com processos manuais ou sistemas fragmentados tendem a ter mais dificuldade para cumprir as novas obrigações e garantir segurança na apuração dos tributos", explica.

6. Trate a reforma como tema estratégico

O maior risco é restringir o tema ao departamento fiscal. A Reforma Tributária deve entrar na agenda de conselhos e lideranças, pois impacta competitividade, governança e posicionamento de mercado. "A regulamentação deve avançar nos próximos meses, mas esperar todas as definições pode significar começar atrasado. A reforma representa uma mudança estrutural, e, nesse cenário, a diferença entre custo e oportunidade estará na preparação", conclui Barbeti.

Sobre o Grupo BLB

Fundado em 2003, em Ribeirão Preto (SP), o Grupo BLB é uma empresa brasileira com atuação nacional. Com escritórios em Ribeirão Preto, São Paulo e Goiânia, a empresa opera em quatro frentes principais: auditoria e consultoria tributária e societária por meio da BLB Auditores e Consultores, braço com mais de 450 clientes presentes em 17 estados, finanças corporativas por meio da vertical BLB Advisor, educação executiva pela BLB Escola de Negócios e inovação por meio da Arara Seed. Com mais de 110 profissionais, o grupo tem como foco a independência técnica, a proximidade com o cliente e a construção de relações de longo prazo, pautadas por rigor, governança, especialização profissional e crescimento sustentável.

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